terça-feira, 27 de março de 2012

1 ano

O primeiro ano em Londres.
Um ano em Richmond.
Nem sei por onde começar.
Há um ano chegava numa casa vazia.
Cadê meu sofá? Cadê minha vida?
Meninas numa escola nova.
Língua nova.
Amigos novos.
Até ir no supermercado era novo.
Abrir a torneira, subir e descer escadas.
Dirigir do lado errado.
Anda, anda e aprende a andar na rua.
Metrô, trem, patinete.

Em 365 dias aprendi muita coisa.

Falar sorry toda hora.
Olhar no relógio para não perder o trem.
Correr para pegar o trem.
Aproveitar o parque.
Curtir o sol.
Cinema sem legenda.
Cuidar do jardim.
Varrer o jardim.
Chamar o jardineiro.

Ingresso a gente compra pela internet.
Tudo a gente compra pela internet.
Comemora um dia de sol
mas torce para neve chegar.
Sente saudade do Brasil,
da casa antiga,
dos amigos.
Revê amigos que vem para cá.
Conhece o amigo, do amigo, do amigo e fica amigo.

Aprende a recilciar o lixo.
Vai para Paris em duas horas.
Leva a própria sacola para o supermercado.

Muitas exposições.
Muitos museus.
Muitos passeios.
Mapa. Google. GPS. Postcode.
Abastecer o carro.


Escola para as meninas aprenderem.
Regras da escola para mãe aprender.
Uniforme.
Planeja férias, teatro, circo. 
Compra uma agenda.


Vinho, cerveja.
Suco de maçã.
Água da torneira.
Brigadeiro que a dinda manda.

Já passei dois dias das mães aqui.
Mãe tempo integral.
Filhas tempo integral.
Faço pipoca.
Tomo guaraná.

Uso lencinhos para tudo, menos para lágrimas.
Não tenho tempo de chorar.
Nao quero chorar.
Não preciso chorar.
Quero aproveitar.
Que venha mais um ano em Londres.
Com tudo isso e mais um pouco.














terça-feira, 20 de março de 2012

One Little Word



Semana passada fiquei de olho na previsão do tempo para o final de semana e como era chuva resolvi comprar ingressos para o teatro. Escolhi uma peça chamada One Little Word, num centrinho cultural perto de casa, em Hammersmith chamado Lyric. No site o resumo da história pareceu interessante e a idade indicada era perfeita para as meninas, de 3 a 7 anos.

Chegamos lá, pegamos os ingressos e entramos no pequeno auditório. O cenário já estava exposto, não tinha cortina. Uma escada, um guarda-chuva, uma caixa com fantasias. A história começa com um menino inventando brincadeiras sozinho. Depois chega uma amiga e eles juntos passam a explorar o espaço, criam personagens e se divertem. Até que os dois querem ser o capitão do navio e eles brigam. A menina empurra o menino e ele vai calado para um canto. Até aqui a peça não tem nenhuma palavra. Só uma música. Nenhum grito, nenhuma risada escandalosa, nada. Silêncio. A menina percebe que o menino está triste e vai até ele. E diz: "sorry". Uma palavra. A primeira e única palavra da peça. A música recomeça. Os dois aos poucos voltam a brincar e em 30 segundos já esqueceram a briga e se divertem novamente. A peça termina com os dois juntos fazendo um barquinho de papel.

Tudo tão simples e ao mesmo tempo tão tocante e lindo. Talvez aqui no texto eu não consiga expressar o que aconteceu no teatro, mas posso dizer que foi bonito. Depois percebi que na primeira fileira estavam sentadas algumas crianças surdas, e entendi porque na hora que a menina disse sorry, fez um gestão no coração. Era linguagem de sinais. A peça, com apenas uma palavra e cheia de expressão fez mais sentido ainda.









segunda-feira, 19 de março de 2012

Coelho usa chapéu?

Na minha infância em Porto Alegre a gente fazia um ninho. Aqui em Londres as crianças fazem um chapéu para levar na escola. Cada um comemora a Páscoa de um jeito. Vivendo e aprendendo. Quando recebi a newsletter escolar estava lá:

Easter Bonnet Parade - Every year we have an Easter Bonnet parade for our reception children. This is a fun occasion for the children to show their work to the other pupils. Please can you help your child make a bonnet at home and bring it in on the day to wear for the assembly and parade. 


Seguindo as pegadas do coelhinho (na verdade a dica de uma amiga!) encontrei numa loja chamada Poundland (para a brasileirada aqui paudilândia - é para rir, acho ótima essa adaptação) todos os apetrechos para enfeitar o chapéu e o próprio, claro. Comprei tudo e guardei a sacola para quando tivesse uma tarde livre com as meninas (e disposição para pegar a caixinha de costura, colocar a linha na agulha e e mostrar meus dotes de costureira que sempre fura o dedo).










Sábado chegou e com ele uma chuva fina que durou o dia inteirinho. Era o que a gente precisava para fazer o chapéu. Primeiro montamos o da Anita, depois o da Rosa. Em uma hora estava tudo pronto. Foi fácil. Comprei também uns adesivos que deram todo o charme e ela ficaram muito contentes com o resultado.






Agora só falta chegar o dia 30 para Anita desfilar pela escola e, torçam, ganhar um dos prêmios de chapéu mais bonito!


quinta-feira, 15 de março de 2012

Arte a preço de banana, ou quase



Quinta de manhã matei a aula de pilates. Não costumo faltar porque faço duas vezes por semana e se falto uma já me sinto culpada. Mas foi por um bom motivo. Uma amiga me chamou para visitarmos uma feira que acontece aqui em Londres duas vezes por ano chamada Affordable Art Fair. O que isso significa? Uma feira que você pode comprar arte. Acessível. Disponível.



O criador da feira, Will Ramsay, resolveu criar o evento para mostrar que para comprar arte a pessoa não precisava ser milionária ou mega entendida do mercado. Bastava ter entre 40 libras e 4 mil libras para sair de lá com um quadro embaixo do braço (literalmente). A feira deu certo e há mais de dez anos é realizada no Battersea Park (o mesmo que fui no final de semana com as meninas no Zoo).



No final das contas a amiga chamou um amigo, eu chamei outra amiga e lá fomos os quatro brasileiros passear pela feira. Foi bacana estar de novo num ambiente como este. Várias galerias, muitos quadros e pessoas interessadas em arte. Lembrei dos tempos de SP Arte/foto, em SP, de Bienal. Pena que não tinha o IMS nem amigos queridos do mercado das artes de São Paulo e Rio. Passeamos pela feira toda e saí de lá sem nenhuma sacolinha. Vi algumas coisas interessantes e outras nem tanto. 








O passeio foi ótimo e a manhã terminou com um almoço super gostoso em Slone Square. Com direito a mesa na calçada e muito sol. 







terça-feira, 13 de março de 2012

Ontem à noite conheci mais um dos milhares restaurantes aqui de Londres. Ele chama Maggie Jone's e fica bem pertinho da estação High Street Kensington. Charmoso, o ambiente é acolhedor e agradável. Fomos com um casal de amigos que já morou aqui e que era frequentador do lugar. A comida é super gostosa e sem frescura. Bem típica inglesa, com muitas tortas e assados. Quando fui entrar no site para ver direitinho como chegava lá, vi que este restaurante é do mesmo dono do La Poule au pot, um restaurante francês que fui com outras duas amigas ano passado. O restaurante fica perto da estação Slone Square e a comida também é bem boa. Qualquer um dos dois é uma pedida para um almoço ou jantar!






segunda-feira, 12 de março de 2012

Zoológico

Engraçado o fenômeno que acontece quando o chega o final de semana. A primeira pergunta que as minhas filhas fazem quando acordam é: onde vamos hoje? E eu sempre respondo com a mesma voz de sono: dá para esperar a mamãe levantar? É impressionante como elas gostam de ir para rua passear. Mas haja passeio. Por isso que compro tantos guias e vivo na rua.

Peguei meu guia de Londres para crianças e comecei a vasculhar. A previsão para sábado era de dia claro e calor. Calor para os padrões londrinos, 16 graus. Comecei a ver passeios ao ar livre e li sobre o Zoológio do Battersea Park. Já tínhamos ido uma vez lá à noite, para ver uma queima de fogos. As meninas toparam (sim, preciso do ok final delas) e lá fomos nós quatro de carro (tem estacionamento dentro do parque). Levamos os patinetes e muito energia.



O parque é super bonito. Logo na entrada enquanto almoçávamos cachorro-quente (que delícia) as meninas viram umas bicicletas que você anda praticamente deitado, rente ao chão. E claro, começam a pedir. Já imaginei que não seria muito fácil, mas já que estamos no parque, vamos nos divertir. Encontramos o lugar que alugava as "traquitanas-bicicletas".







A brincadeira não durou 10 minutos. A coisa parece fácil mas exige equilíbrio e elas não conseguiram andar. Além disso eu e o Dedé tínhamos que ficar abaixados guiando as bicicletas. Impossível. Conseguimos devolver a tempo e ganhamos o dinheiro de volta. Aí sim fomos para o passeio principal.


O zoológico é muito bacana. Pequeno mas com muita diversão. As casinhas dos animais ficam ao lado de mini-parques. É tudo super organizado e o que não falta é atividade.  Um ótimo passeio para ir com as crianças. Ficamos lá duas horas e elas brincaram, deram comida para os animais e se divertiram muito.













Foi um ótimo sábado. As meninas gostaram bastante, mas claro, fizeram a tradicional pergunta no final do dia: e amanhã, onde vamos?!








sexta-feira, 9 de março de 2012

Olhar

Estou começando a ficar craque em ir a determinadas exposições aqui em Londres. Alguns aprendizados importantes para facilitar o passeio: compre antes seu ingresso. Vá esperando encontrar muitas pessoas que tiveram a mesma idéia que você. Não espere uma sala vazia. Aprendi isso depois de perder a exposição do Leonardo da Vinci e ser surpreendida pela quantidade de gente na do Lucien Freud.

Portanto, para a exposição do David Hockney na Royal Academy of Arts fui preparada. Era a minha primeira vez lá e posso dizer que o prédio é super bonito. Só não consegui ver mais porque estava lotado de gente. Para você ter uma idéia do sucesso da exposição não tem mais ingressos para vender antecipadamente. E isso que a epxosição termina só dia 9 de abril (se você não tem ingresso o negócio é tentar comprar na hora, mas aí tem que chegar muito cedo porque eles vendem um número limitado por dia).

Esta é a primeira grande exposição das obras novas sobre as paisagens da Inglaterra. Com cores muito vivas, os trabalhos em grande escala foram criados especialmente para as galerias da Royal Academy of Arts. A exposição inclui ainda desenhos que o artista fez usando o IPad e uma série de filmes produzidos com 18 câmeras. É lindo demais. Se você ficar parado na frente de um dos quadros vai notar como o artista utiliza as cores e como ele vê cores que estão "escondidas" na natureza.

Aqui no site do museu tem um vídeo com o Hockney falando sobre a exposição.

Um dos quadros que mais gostei foi este. E ele ao vivo é de chocar os olhos. Lindo. Tem uma luz incrível. Não tem nem o que dizer, basta olhar.









quinta-feira, 8 de março de 2012

The Chelsea Tea Pot




Enquanto as meninas aproveitavam o World Book day na escola, eu e uma amiga fomos almoçar num lugar super charmosinho chamado The Chelsea Tea Pot na King's Road. Aconchegante, o lugar tem doces lindos (não sei se são bons porque não provei) e comidinhas gostosas (essas sim, eu comi). Pedi um sanduíche chamado Piadina (uma espécie de pizza) e a amiga um croque. O cardápio ainda oferece outras opções, como saldas e sopas.





Todo enfeitado o lugar  é também uma lojinha que vende produtos para chá e oferece um espaço para festas infantis, onde as crianças podem enfeitar cupcakes e outras brincadeiras.




Se você vai passer pelas King's Road, vale a pena visitar. Da próxima vez vou experimentar os doces!

The Chelsea Tea Pot
402 King's Road
London



quarta-feira, 7 de março de 2012

O universo do 007



Se você é fã de carteirinha dos filmes do agente secreto pode ligar para seu agente de viagens e marcar sua passagem para Londres em julho. O centro cultural Barbican está preparando uma grande exposição para celebrar os 50 anos do 007 e vai levar você para dentro do mundo do Bond. Os organizadores prometem uma verdadeira imersão no assunto e para isso vão mostrar figurinos, armas, storyboards, música, locações e muitas outras atrações do universo do espião mais famoso da história cinema.

Criado pelo escritor Ian Fleming em 1953, foi em 1962 que o agente britânico foi parar nas telas dos cinemas. Desde então, 22 filmes já foram vistos por milhões de pessoas. Quem interpretou o primeiro James Bond para o cinema foi Sean Connery. Depois vieram George Lazenby, Roger Moore, Timothy Dalton, Pierce Brosnan e atualmente, Daniel Craig. Será que algum deles vai estar dar pinta na abertura da exposição?

Lendo mais sobre o Bond para fazer este post relembrei os títulos dos filmes. Um melhor que outro: Com 007 só se vive duas vezes, 007- Os diamantes são eternos, 007 contra o homem da pistola de ouro, O espião que me amava e O Amanhã nunca morre.

Então anote na agenda que este ano temos dois encontros com Bond. Primeiro a exposição e o segundo em outubro, para ver o novo filme, Skyfall.






Sorria!


É como eu falei um dia desses... Parece que a gente nunca chega de verdade. Agora foi a vez do dentista. Mas as notícias são boas, calma. Há uns quatro meses, passando o fio dental na minha filha mais velha, descobri uma cárie. Puxa, e agora? Esperar para ir para o Brasil não dava. Pedi indicação para uma amiga, que pediu para outra. Nessas horas a corrente da amizade ajuda quem um dia se muda.

A amiga indicou uma clínica especializada para crianças, e vejam só, com uma filial em Richmond. O site me pareceu bem bacana e quando chegamos fui bem surpreendida pelo ambiente. A dentista também pareceu simpática, atenciosa e profissional. Falou que era sim uma  cárie e que iria tirar uma radiografia. Antes de começar qualquer coisa, ela me deu  um papel para ler. Ali estava uma explicação sobre uma anestesia com gás não sei das quantas que anestesiaria a Rosa durante o tratamento. Pera aí. Como assim, gás? Como assim relaxar? Como assim, inalar? Essas não são palavras para um dentista. Fiquei chocada e ao mesmo tempo com medo. Falei que isso não era comum no Brasil, que minha filha amava a dentista dela e que não tinha motivo para isso. Ela rebateu dizendo que teria que anestesiar a Rosa com aquela mega agulha e que ela iria chorar e blá,blá, blá. O que ela queria mesmo era ter menos trabalho. Eu disse que não assinava o papel e que poderíamos, com jeitinho, tentar fazer o tratamento sem a tal anestesia. Claro que Rosa percebeu que eu já não estava mais tão segura e começou a chorar. A dentista falou que era para eu repensar minha posição (tipo assim: tá vendo, com o gás ela não vai ficar nervosa...) e eu disse que voltaria outro dia, que queria pensar, que as coisas não eram bem assim.

Saí de lá triste (o consultório era tão bacana, vai dar um trabalho achar outro...), chocada (com a falta de boa vontade da médica) e com o celular na mão para ligar para a nossa dentista no Brasil. Claro que ela falou que era para a gente tentar sem o gás, que isso só se usa em último, último caso, que sempre conversando e explicando as coisas as crianças entendem e deixam a dentista trabalhar. Claro, claro, claro. Concordo com tudo. Mas você está em Higienópolis e eu estou do outro lado do Oceano. Vem para cá?!!

Falei também com o pediatra das meninas, para ver se ele me dava alguma luz. Falar com ele sempre é bom, me acalma, mas dessa vez coitado, não podia fazer muito por nós. Só faltou eu ligar para o meu querido-amado Dr. Wilson, mas ele é obstetra e acho que mandaria eu tomar um remédio. A decisão agora  era minha e do Dedé.

Resolvi procurar outra indicação. Contei para minha professora de inglês que recomendou o dentista dela. Lá fui eu. Marquei a consulta e desta vez Dedé foi junto. Muito calmo, ele disse mesmo que a cárie era grande e que ela teria sim que tomar uma anestesia. Mas no dente. Nada de gás, de cheirinho, de soninho.  Ele conseguiu tratar a cárie, deu tudo certo e ela ficou acordada o tempo todo. Só quem dormiu foi o dentinho dela. Depois disso já o recomendei para outras amigas e ontem foi a minha vez de sentar na cadeira. Estava com um pouco de medo, claro (alguém gosta de ir ao dentista?), mas da mesma forma que ele agiu com a Rosa fez comigo. Foi me explicando tudo que faria e no final foi ótimo. Fiquei feliz com o dente arrumado e mais ainda sabendo que agora sim, temos um dentista em Londres. Lembro que quando fui morar em SP, levei quatro anos para encontrar um. Sempre deixava para ir no dentista quando ia para Porto Alegre. Agora pelo menos foi mais rápido.

Quando já tinha terminado de escrever este post, uma amiga mandou um link de um texto sobre a volta para o Brasil para quem morou um tempo fora (Folha de SP de ontem). Bem interessante, a matéria descreve assim o primeiro mês do "viajante":


Solidão, choque cultural, falta de domínio do idioma e diferença de clima começam a aborrecer o aventureiro, que passa a ter saudade de casa


Não é fácil mesmo se adaptar em outro país. Como mostra meu texto, faz quase um ano que moro aqui e ainda enfrento algumas dificuldades, mas estou adorando esta experiência. Tenho certeza que este blog e o contato com os amigos no Brasil tornaram este período muito mais divertido (mesmo tendo que fazer um milhão de coisas que não fazia, entre elas subir vários degraus, passar aspirador, ser "motorista" da família, varrer jardim... ). A chegada num lugar novo depende muito do seu espírito e do ambiente que você cria. Eu poderia estar me queixando nas ruas, mas não, estou aqui contando minha história, rindo das horas chatas e compartilhando este momento. Como é bom estar com os dentes lindos para dar boas gargalhadas!



segunda-feira, 5 de março de 2012

Os impressionantes retratos de Lucien Freud

Lucien Freud


Depois de quase um ano morando aqui em Londres o museu que mais visitei foi a National Portrait Gallery. Acho que já fui mais de cinco ou seis vezes. Como diria uma das mulheres ricas: adoro! Só que ao invés de champagne gosto mesmo do que é exposto, dos quadros, do prédio e da lojinha (porque ninguém é de ferro).  E semana passada fui carimbar mais uma vez meu passaporte por lá. Dessa vez fui com o maridón ver a exposição do Lucien Freud.

Já tínhamos comprado os ingressos pela internet (essa dica é boa: sempre que possível compre antes!) e quando chegamos foi só entrar. O problema é que estava cheia. Bem cheia. Muito cheia. Em algumas salas tivemos que esperar para entrar porque era muita gente na frente dos quadros... Apesar disso valeu a pena ter ido, claro. Nunca tinha visto uma exposição com quadros dele e vê-los de perto foi muito impressionante. São 130 trabalhos inclusive alguns que nunca foram exibidos antes. Pena que não podia tirar fotos. A exposição fica na NPG até 27 de maio.

E eu já sei até quando vou de novo dar as caras por lá. Dia 17 de maio abre a exposição com mais de 60 retratos famosos da Rainha para marcar as comemorações do Jubileu. Eu até já comprei um dos souvenirs da exposição e escrevi sobre ele aqui durante um passeio pelas ruas do Soho. Estarão expostos os trabalhos de Cecil Beaton, Dorothy Wilding, Pietro Annigoni, Andy Warhol, Annie Leibovitz, Lucien Freud, Thomas Struth e Gerhard Richter. Para dar um "gostinho" olha o retrato que o Lucien Freud fez dela:







World Book Day

Eu não sabia, mas no dia primeiro de março se comemora o dia mundial do livro. Não lembro desta data ser comemorada no Brasil, talvez lá a gente não faça parte deste "mundo". O fato é que aqui se celebra e sexta-feira as meninas podiam ir para escola fantasiadas e tinham que levar o livro que mais gostam. Nem preciso dizer qual era a fantasia delas, certo? Maestro, uma letra: P.

As princesas chegaram na escola e encontram com diversos personagens: estavam lá bruxinhas, Wally, piratas, cavaleiros, Cat in the hat e claro, Cinderela, Sininho, Ariel, Branca de neve e mais um monte delas. Foi divertido ver a criançada animada e até as professoras entraram na festa. A diretora da escola foi fantasiada de bruxa, mas passou por uma criancinha e falou: sou uma bruxinha boa (convém avisar).





Quando fui buscar Ariel e Cinderela as duas exclamaram: mamãe, vamos na livraria, temos dinheiro para comprar livros! Na verdade elas ganharam foi um cupom que dava uma libra de desconto na compra de livros. Nem preciso dizer qual foi o passeio de sábado.





Quando pensei em escrever sobre isso aqui no blog fui atrás de mais informações e achei este site: World Book Day, com as informações sobre esta ação. Muito interessante e inteligente como aqui em Londres eles incentivam o hábito e o prazer da leitura, começando pelas crianças. No site achei este poema, que foi lindo durante um evento:

“I opened a book and in I strode. 
Now nobody can find me. 
I've left my chair, my house, my road, 
My town and my world behind me. 
I'm wearing the cloak, I've slipped on the ring, 
I've swallowed the magic potion. 
I've fought with a dragon, dined with a king 
And dived in a bottomless ocean. 
I opened a book and made some friends. 
I shared their tears and laughter 
And followed their road with its bumps and bends 
To the happily ever after. 
I finished my book and out I came. 
The cloak can no longer hide me. 
My chair and my house are just the same, 
But I have a book inside me.” 
 Julia Donaldson


quinta-feira, 1 de março de 2012

Ainda bem que existe o Correio


Quinta-feira de manhã, eu ainda de ressaca da noite com o Paul, toca a campainha. Era o carteiro cheio de pacotes na mão. Nossa, falei! Hoje a entrega rendeu, hein? E ele todo animado: correspondência de vários lugares!

Entrei em casa cheia de pacotes. Vi que três encomendas eram para as minhas filhas. Essas meninas, viu? Presentes do Brasil e da Espanha. Guardei até elas voltarem da escola para terem o gostinho de abrir os envelopes. Mas percebi que a madrinha mandou mais presentes da temporada na Espanha e que do Brasil vieram dois livros dados de presente por uma nova-amiga-querida-da-borapirá. Acho que meninas vão amar...

Depois me concentrei no envelope endereçado para mim e André. O remetente eu não conhecia, achei que era material promocional de uma empresa chamada Herb Lester Associates. Nunca tinha ouvido falar. Mas não era. Era um presente muito bacana. Um amigo do Brasil mandou diversos mini-guias de Londres. Mas não guias como a gente conhece, como livros. Estes são como pequenos postais, que desdobrados mostram um mundo de passeios para se fazer por aqui. Além de lindo, o projeto apresenta lugares diferentes e inusitados e se define como "A guide to the usual and unusual".



Um dos mini-guias é para se fazer passeios com tios e tias. Outro é só sobre Spitalfieds. O outro traz dicas de lugares mais afastados do centro e um deles chama "Clandestine London". Entrei na internet e fui bisbilhotar mais sobre a editora. Descobri que no site eles tem um "journal" com dicas de vários países e outros guias também. Super presente lindo e diferente. Eu e Dedé adoramos, amigo Iglan. Agora que tal você vir para Londres para a gente passear e desvendar estes guias juntos?